Cabelos

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Nada, nada vinha a minha cabeça meu cérebro estava congestionado como os meus sinus e dele nada entrava nem saia. Não tinha dor nem incomodo apenas ócio. Isso incomodou meus familiares por anos. Alguns culpavam minha educação, outros minha preguiça minha mãe meus cabelos. Eles eram muitos e para mim era a única coisa que minha cabeça podia fazer de útil. Ter milhões de fios esse era o objetivo da esfera acima do meu pescoço. Com eles eu não tinha inteligência, mas pelo menos não era virgem.

Essas desculpas não adiantaram nada. Minha mãe insistia dia e noite contra os meus pelos capilares. Eu resisti até onde pude, mas a minha pobre mãe estava definhando e ver seu filho com os cabelos curtos era o seu ultimo desejo. O único dia em que encontrei um tempo livre foi à noite. Era quase 00h e provavelmente nenhum aparador de capilos estaria aberto. Por azar encontrei um aberto e segui minha promessa.

O homem era barbudo mal se podia ver seus olhos pela quantidade de pelo que tinha na face. Seus olhos eram roxos, mas um deles estava tão recoberto por pelos que provavelmente não possuía visão. Era como se uma mata densa tivesse se fechado na depressão ocular. O homem não passava confiança alguma, mas eu estava decidido contra a minha vontade. Sentei-me em uma cadeira velha e furada ele me entregou uma velha revista masculina. Comecei a folhar o objeto enquanto ele preparava os seus equipamentos, algumas folhas vinham coladas uma nas outras o que aumento meu nojo sobre o local. Olhei para a esquerda e vi o equipamento que ele estava preparando tesouras, navalhas, facas e um lancete. O personagem não falava muito, mas eu perguntei a ele se era realmente necessário usar um lancete para cortar o meu cabelo. Ele respondeu por grunhidos que interpretei como: eu nunca vi um cabelo tão sujo e duro talvez o lancete não seja suficiente.

As laminas começaram a navalhar pelos meus fios. Caiam, caiam como almas no inferno. O homem trocava o tempo todo de lamina e não demorou muito para que eu começasse a sentir um liquido escorrer por minhas bochechas, o liquido escorreu até os meus lábios e pude sentir o seu gosto era água. Olhei novamente para os instrumentos do cabeleireiro e estavam vermelhos eu não entendia mais nada. As gotas continuavam a escorrer pela minha face e o gosto mudou. O som das laminas se distanciou e derepente tudo parou. Olhei pro chão meus cabelos tinham sido mortos e sangravam minha cabeça sangrava e minha inteligência jorrava.

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2 Respostas to “Cabelos”

  1. BlackCat. Says:

    O “leia mais” não está funcionando como devia. Só está deixando pessoas paranóicas, que acham que não acabaram de ler o post, sendo que ele está todo na primeira página.

  2. BlackCat. Says:

    Bom, você sabe a palavra para descrever o conto, certo?
    Macabro…

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