Marcas

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Os dedos pressionados contra a cabeça ele pensava. De olhos fechados as letras apareciam no seu monitor e os seus dedos sabiam exatamente onde tinham que ir. No piano eles nunca tinham mostrado esta habilidade, mas nas teclas de seus velho computador eles pareciam dançar ao som de uma música criada apenas pelo som do impacto da cútis contra o plástico. Som que não tinha ritmo, melodia ou tema. Som que era barulho. Este homem era áspero não sentia nada de belo no mundo, a musica ficava entalada nos seus ouvidos, as cores não significavam nada, o quadros mais feios eram belos o cinema mais estúpido era bom. A vida mais sem graça era a que ele queria levar 15 anos fazendo o mesmo caminho sem reclamar, 15 anos sendo o mesmo fugindo dos outros e querendo apenas o seu canto de paz. Se ao menos a síndrome de Asperguer tivesse. Mas não ordinário como ele apenas um tênis.

Se bem que os tênis para alguns não tem nada de ordinário muitas vezes por levarem apenas uma marca de nascimento. Como os nobres estes nasciam predestinados a comandarem nações a terem vidas mansas e nunca passar fome. Um tênis Adidas, Nike também e não por merecerem mas por nascerem. Nascem da exploração dos pobres como os nobres. São vendidos aos burgueses como os títulos de fidalgos, são copiados como as falsificações de títulos de nobreza. Alguns são heróicos e merecidos e entregues as pessoas mais merecedoras. Infelizmente o tênis não lhe enchia o peito como deveria, nem o seu carro nem o seu computador ou videogame. A sociedade tentou de tudo para mimar este homem sem graça e de nada adiantou divertia se por uns dias e deixava se levado pelo tédio, perdia bens que outros teriam dado a vida financeira.

Mal agradecido este sujeito pensavam os altos fidalgos repletos de marcas e estampas no peito, na perna, no pé, no olhos e na cabeça… Como demos tudo a este miserável. – Já que ele não quer marcas iremos acoplar-las a sua pele e aos seus órgãos…

Assim dito assim feito. Na manha seguinte o sujeito mal agradecido foi seqüestrado levado pra dentro de uma van até um cativeiro. Lá os seus carrascos o amararam e com uma colher lhe sacaram o olho. No lugar colocaram um olho de vidro Von Dutch. Maneiro não? Nos tornozelos tatuaram símbolos nike lembrando assim o deus Hermes e suas botas aladas, acima de suas genitálias colocaram o símbolo adidas de forma que se a calça fosse usada mais baixa (habito comum entre os jovens) apareceria o símbolo pela metade. Nos mamilos tatuaram maças mordidas e nas mãos botes de pumas.

Desfigurado e horrivelmente tatuado o jovem foi solto no meio de um centro comercial nu. As pessoas pararam e o observaram ele não sabia o que fazer, escondia se ou ficava ali parado mais nada tinha sentido. As pessoas o olhavam de perto principalmente para o seu olho de vidro. Vidro não silicone inoxidável impermeável insolúvel.

Voltou pra casa e se vestiu, traumatizado com a experiência ficou uns quinze minutos no seu quarto com medo do mundo. Mas sem ter o que fazer dentro do quarto ele decidiu sair de novo, mas devagar, dias após dias ele se afastava cada vez um pouco mais de casa até voltar a ter uma vida normal de novo. Estranhamente durante essas esticadas de pernas ele percebeu que quase sempre haviam acidentes nos cruzamentos. E que as pessoas estavam usando camisetas um tanto diferente. Eram regatas que deixavam os peitos dos meninos pra fora e que paravam na altura do umbigo. Um tipo de roupa que teria sido ridícula até a semana passada. As tatuagens nos peitos e nas regiões quentes assim como nos tornozelos se pareciam muito com as marcas que tinham sido feito a força no seu corpo. Os dedos das pessoas apresentavam os mesmos pumas, e pouco a pouco percebeu pela quantidade de trombadas e batidas que as pessoas como ele, eram caolhas de luxo…

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