Posts Tagged ‘crônica’

Dor nas costas

março 27, 2009

Nada doía, nunca na vida ele tinha sentido algo tão prazeroso e morto. Nem mesmo a dor da vida estava presente. Procurando algum encomodo ele gesticulava, forçava as articulações, mas nada. Fincou um garfo na mão e sem resultados. Chegou a uma conclusão talvez o bem que lhe aflegia so poderia ser revertido por outra pessoa. Pegou o cartão da prostitua a quem sempre sentiu um prazeroso temor. Nele se lia dor e sensualidade ou você não paga nada. Ligou. Pediu pra que viesse o mais rápido possível e assim foi. Chegou uma mulher de impermeável e assim que ele fechou a porta este se abriu. Ela vestia uma roupa de couro com espinhos que saiam para todos os lados. Ela o amarrou e o chibatou. Por horas e nada adiantou. Até trocou os instrumentos, chicotinho, porrete, bambu, mas nada. Desistiu o soltou. Deprimida com o seu fraco desempenho não cobrou nada e foi embora. O homem não entendia mais tinha uma outra idéia. Decidiu se fazer um bem permanente. Armado com uma colher arrancou o seu próprio globo ocular e assim ficou. Colocou um formoso tapa olho que de olho não tapava nada. A extração ocular por mais gosmenta e sangrenta que tinha sido não propiciara nem uma gota de dor. Ao contrario durante o processo gemia, gemia de prazer como nenhuma prostitua ou gigolô tinham conseguido lhe dar até então. Ficou tentando em arrancar o seu outro olho fora, mas a cegueira o amedrontava. Pensou em outros órgãos que tinha em pares e que poderiam ser removidos sem grandes desconfortos. Rins era difícil operara de costas, narinas não existem são buracos, testículos temia por sua fertilidade. Nenhum órgão era tão inútil como um olho. Foi pra cama feliz pelo prazer triste pela dor inexistente. Morreu por aquela noite, mas acordou sem sonhar.

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Verde

setembro 30, 2008

Boris estava em sua aula particular de lógica avançada. Como bom burguês era necessário para Boris aprender tal faculdade para adocicar o seu humor de bruto que tinha adquirido ao longo da guerra. Guerra que em troca lhe tinha tomado metade de sua visão perdendo um olho para um inimigo qualquer. Agora a vida tinha voltado ao seu normal e nada podia ser feito contra isso. O seu mestre o aborrecia profundamente e mesmo sendo uma aula particular o caolho não entendia metade do raciocínio de seu tutor.

De repente Boris percebeu uma pólvora, uma pólvora verde que estava em sua roupa e parecia sair da sua sacola de estudos. Este examinou o material e o guardou para examiná-lo na sua aula de ciência que vinha em seguida desta aborrecida matéria. O resto do produto ele o assoprou respandindo aquele pó em toda sala.

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Cabelos

setembro 23, 2008

Nada, nada vinha a minha cabeça meu cérebro estava congestionado como os meus sinus e dele nada entrava nem saia. Não tinha dor nem incomodo apenas ócio. Isso incomodou meus familiares por anos. Alguns culpavam minha educação, outros minha preguiça minha mãe meus cabelos. Eles eram muitos e para mim era a única coisa que minha cabeça podia fazer de útil. Ter milhões de fios esse era o objetivo da esfera acima do meu pescoço. Com eles eu não tinha inteligência, mas pelo menos não era virgem.

Essas desculpas não adiantaram nada. Minha mãe insistia dia e noite contra os meus pelos capilares. Eu resisti até onde pude, mas a minha pobre mãe estava definhando e ver seu filho com os cabelos curtos era o seu ultimo desejo. O único dia em que encontrei um tempo livre foi à noite. Era quase 00h e provavelmente nenhum aparador de capilos estaria aberto. Por azar encontrei um aberto e segui minha promessa.

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Tic tac toc Doc

setembro 19, 2008

Faz três horas que estou esperando o medico da empresa me atender. Entrou algo no meu olho direito e ta ardendo. Arde como e fosse uma picada de abelha, mais bem no meio da íris Tenho que tentar me lembrar do que aconteceu antes desta dor. Não lembro assim talvez se eu tentar me lembrar do dia todo funcione.

Acordei comi pão com manteiga e café o calor da bebida fez meu dente doer, mas parou logo em seguida. Fui a pé pro trabalho meus olhos ficaram irritados por causa da poluição, mas a dor veio horas depois não pode ser apenas a poluição. Deve ter entrado algo, algo pior que um cisco, algo como um prego ou talvez enquanto eu dormia no trabalho meu chefe com um furadeira furou meu olho. Na verdade nem sei se tenho este olho desde do começo da dor me recuso a olhar pro espelho tenho medo de ver sangue ou sei lá sou meio medroso pra essas coisas. Bom, não sei.

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